
A historiadora Jo B. Paoletti, da Universidade de Maryland, estuda a história do vestuário infantil há 30 anos e acaba de lançar o livro Pink and Blue: Telling the Girls From the Boys in America que investiga justamente as mudanças desses códigos de cor na história das crianças americanas.
Paoletti explica que até 1880, meninos e meninas usavam roupas neutras que seviam para ambos os sexos. Geralmente, era uma espécie de vestido branco que hoje em dia só pode ser visto em meninos em alguns batismos. Nessa época, todas as crianças usavam esse tipo de roupa até os sete anos de idade, só então havia distinção entre roupa de menino e roupa de menina e só então as crianças cortavam os cabelos. Sendo assim, era realmente difícil dizer se a criança de vestido e cabelos longos sentada no quintal era um menino ou uma menina.
Em meados do século 19 rosa, azul e outras cores pasteis foram sendo inseridas no guarda-roupa infantil, mas essas duas cores só passaram a identificar os gêneros dos bebês um pouco antes da Primeira Guerra Mundial.
O livro traz vários fac-símiles e imagens legais, como a foto do presidente Franklin Roosevelt ainda criança trajando um vestidinho branco que ilustra este post e um artigo do Ladies’ Home Journal de 1918 dizendo que o certo era vestir meninos de rosa e meninas de azul já que o rosa era uma cor mais forte e agressiva, enquanto o azul era mais delicado.
O ponto central do livro é relativizar essa ditadura da moda infantil e dizer que se o seu filho prefere esta ou aquela roupa isso realmente não importa. No fim das contas, segundo especialistas entrevistados para o livro, as crianças só começam a ter percepção de gênero aos três anos de idade e só realmente entendem o que isso significa aos sete. Sendo assim, é muito mais legal vestí-las com as cores que elas gostam do que com as cores que convenções que mudam o tempo inteiro nos ensinaram.
(Imagem: Bettmann / Corbis)
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