Era o ano de 1940 e eu... Chamava-me Michael Hertz, mas todos me chamavam de Mike. Eu e minha família trabalhávamos de sol a sol cortando cana-de-açúcar. Nós suávamos para ter comida em casa. Todos os anos eu e minha família fazíamos o jantar de ação de graças para comemorar a Deus a comida que tivemos condições de comprar com muito esforço. Sentávamos a mesa e depois, junto à lareira para nos esquentarmos e lembrar de todos os acontecimentos que nos fazia relembrar de alguns fatos que ocorreram na nossa família.
Quando chegou a minha vez, disse do desaparecimento do meu pai, Steven Hertz. Ele desapareceu há 10 anos e até hoje não sabíamos nada a respeito dele. Quando foram 20 minutos depois do jantar, recebemos um telefonema. Era do tio George, dizendo que ficou sabendo que o nosso pai tinha falecido porque ao passar na divisa da Argentina com o Paraguai, pois havia guerras por lá e acidentalmente levou dois tiros. Um na cabeça e o outro no tórax. Ficou em coma induzido por dois anos e respirando com ajuda de aparelhos, mas não resistiu à última cirurgia para a retiração da bala no tórax e os ferimentos e morreu. Minha família tinha ficado em estado de choque, menos eu, pois não gostava dele. Lembro-me de que quando tinha prova, eu era obrigado a estudar para que notas boas aparecessem no final do ano em meu boletim. Meu pai verificava minhas provas, lições, boletins e outros para ver minhas notas e se estudei bastante. Caso minhas notas fossem ruins, apanhava de chibata - uma espécie de chicote. Lembro-me de até que um dia eu havia ficado com o corpo todo roxo, principalmente nas costas. E era uma vez ou outra que apanhava, pois muitas vezes alterava minhas notas no boletim escolar.
Capítulo 02 - Pesadelos a noite
Eu adorava desenhar naquele tempo e teve um dia que eu estava no ginásio e meus pais resolveram me tirar da escola em que eu estudava para uma escola de artes. Meus pais raciocinaram assim: " Já que estamos em péssimas condições em casa, que tal nós colocarmos ele em uma escola de artes para que ele se ‘aprofunde’ mais nessa história de desenhos e quem sabe, ganhar até dinheiro com isso".
Comecei na escola e os alunos da outra escola disseram que eu tinha sorte para ir para essa escola, pois pintaria mulheres nuas. Comecei a gostar da escola, não pelo fato das mulheres nuas, e sim porque tinha aulas teóricas e práticas e tinham bons professores que garantiam um bom ensino.
Nessa noite fui dormir mais cedo, pois estava muito cansado. No meio da noite comecei a escutar barulhos estranhos e senti a sensação de que não estava sozinho naquele quarto. Não dormi praticamente nada. E aquela noite tinha que descansar bastante, pois no dia seguinte eu teria muitas coisas a resolver.
Capítulo 03 - Desabafo
No dia seguinte, faltei na escola, pois não me sentia bem. Eu ardia em febre e diarréia. Quando fui dormir, vi uma mão que acenava para mim e uma pessoa que parecia muito meu falecido pai. Esta noite tive um sonho estranho, e foi mesmo esquisito. Havia um homem morto dentro de um caixão. Só que eu não conseguia ver o seu rosto. Só via do pescoço para baixo. Quando tentava ver seu rosto, além de estar todo deformado e a minha vista começava a doer de repente.
No dia seguinte desabafei com minha mãe, a única pessoa que eu podia contar tudo naquela ocasião. Ela ficou surpresa, pois ela disse que aconteceu a mesma coisa com ela quando seu pai faleceu. Nossa família era querida por todas as pessoas que moravam naquela pequena cidadezinha, que ninguém desconfiou de nada em relação a nossa mudança de comportamento. Na outra noite, escutei uma voz me chamando em direção a porta de casa. Quando abri a porta, nada vi. Será que o que a gente sente quando um familiar morre é normal? Essa é a dúvida que ficou pelo resto da minha vida dentro de mim, o mistério que nunca foi desvendado. Muita gente não acreditava na gente e achava que estávamos enlouquecendo.
Capítulo 04 - Mandy
Naquele tempo, minha família se importava com as ofensas, tanto que nos mudamos de Nova Jersey para San Francisco. Não gostei da mudança pois gostava muito de Nova Jersey e lá eu tinha grandes amigos que marcaram a minha vida.
Resolvi sair da nossa casa nova para dar uma volta pela nova cidade, que por sinal acabei me perdendo. Estava na avenida principal, quando passava uma moça elegante, bem vestida e muito bonita. Com ela me informei como fazia para chegar em casa novamente. Acabei gostando dela e ela de mim e nós nos conhecemos. Seu nome era Mandy. Foi a primeira vez que alguém me encantou e que meu coração bateu mais forte.
De olhos e cabelos cor de mel, Mandy era filha de um homem riquíssimo. Quase tudo de Nova Jersey, pertencia a ele. Mandy, tinha de tudo que se poderia imaginar como jóias, roupas e calçados das melhores grífes.
Capítulo 05 - O acidente
Mandy e eu trocamos telefones e nos despedimos. Por telefone, marcamos um encontro para nos conhecermos melhor. Foi em um restaurante que tudo aconteceu. Daquele dia, começamos a namorar meio que escondido, pois os nossos pais naquele tempo, não aceitava que tivessemos um relacionamento.
Conversamos com nossos pais e depois de um tempo, eles aceitaram o nosso relacionamento. Depois de quase dois anos de namoro, ficamos noivados e trocamos alianças. Em menos de um ano nos casamos e fomos para Miami Beach. Os anos foram se passando e nunca quisemos ter filhos e resolvemos viajar de carro para o Canadá passar a lua de mel.
Era de noite e estava dirigindo na divisa dos EUA com o Canadá quando veio um carro em alta velocidade na contramão e bateu de frente com o nosso carro. Eu não fiquei com ferimentos graves, mas Mandy morreu no local do acidente.
A morte de Mandy, me abalou muito psicológicamente e a partir daquela data, não consegui mais ter um relacionamento com outra mulher.
Capítulo Final - Recomeçar
Hoje aos 71 anos de idade, passo por tratamentos psicológicos, tenho um quadril falso, um coração artificial, pouco tempo de vida, sou desenhista profissional e levo a minha vida normal, começada do zero, pois esqueci as mágoas do passado. Hoje sou um homem totalmente novo!
Fim...
By: Camilla Santana.
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